Oficina 1
“Procedimentos,estratégias e capacidades de leitura/teorias de leitura e letramento” (Rojo)
Partir da afirmação a respeito da leitura, paramos no início do século passado. Na visão da decodificação, interpretação e compreensão do texto.Discutimos que não para por aí, acreditamos que já à prática da interação e da réplica. Envolvendo a auto-reflexão e visão crítica do contexto- leitura inserido num contexto social do autor/leitor, com as possibilidades infinitas de novos discursos/textos.“Procedimentos,estratégias e capacidades de leitura/teorias de leitura e letramento” (Rojo)
Texto: No aeroporto- Carlos D. de Andrade
Preparação para a leitura
O título da história que vamos ler é “No aeroporto”
Aeroporto - Carlos Drummond de Andrade
Viajou meu amigo Pedro. Fui levá-lo ao Galeão, onde esperamos três horas o seu quadrimotor. Durante esse tempo, não faltou assunto para nos entretermos, embora não falássemos da vã e numerosa matéria atual. Sempre tivemos muito assunto, e não deixamos de explorá-la a fundo. Embora Pedro seja extremamente parco de palavras e, a bem dizer, não se digne pronunciar nenhuma. Quando muito, emite sílabas; o mais é conversa de gestos e expressões, pelos quais se faz entender admiravelmente. É o seu sistema.
Passou dois meses e meio em nossa casa, e foi hóspede ameno. Sorria para os moradores, com ou sem motivo plausível. Era a sua arma, não direi secreta, porque ostensiva. A vista da pessoa humana lhe dá prazer. Seu sorriso foi logo considerado sorriso especial, revelador de suas intenções para com o mundo ocidental e o oriental e em particular o nosso trecho de rua. Fornecedores, vizinhos e desconhecidos, gratificados com esse sorriso (encantador, apesar da falta de dentes), abonam a classificação.
Devo admitir que Pedro, como visitante, nos deu trabalho: tinha horários especiais, comidas especiais, roupas especiais, sabonetes especiais, criados especiais. Mas sua simples presença e seu sorriso compensariam providências e privilégios maiores. Recebia tudo com naturalidade, sabendo-se merecedor das distinções, e ninguém se lembraria de achá-lo egoísta ou inoportuno. Suas horas de sono — e lhe apraz dormir não só à noite como principalmente de dia — eram respeitadas como ritos sacros a ponto de não ousarmos erguer a voz para não acordá-lo. Acordaria sorrindo, como de costume, e não se zangaria com a gente, porém é que não nos perdoaríamos o corte de seus sonhos. Assim, por conta de Pedro, deixamos de ouvir muito concerto para violino e orquestra, de Bach, mas também nossos olhos e ouvidos se forraram à tortura da TV. Andando na ponta dos pés, ou descalços, levamos tropeções no escuro, mas sendo por amor de Pedro não tinha importância.
Objeto que visse em nossa mão, requisitava-o. Gosta de óculos alheios (e não os usa), relógios de pulso, copos, xícaras e vidros em geral, artigos de escritório, botões simples ou de punho. Não é colecionador; gosta das coisas para pegá-las, mirá-las e (é seu costume ou sua mania, que se há de fazer) pô-las na boca. Quem não o conhecer dirá que é péssimo costume, porém duvido que mantenha este juízo diante de Pedro, de seu sorriso sem malícia e de suas pupilas azuis — porque me esquecia de dizer que tem olhos azuis, cor que afasta qualquer suspeita ou acusação apressada sobre a razão íntima de seus atos.
Poderia acusá-lo de incontinência, porque não sabia distinguir entre os cômodos, e o que lhe ocorria fazer, fazia em qualquer parte? Zangar-me com ele porque destruiu a lâmpada do escritório? Não. Jamais me voltei para Pedro que ele não me sorrisse; tivesse eu um impulso de irritação, e me sentiria desarmado com a sua azul maneira de olhar-me. Eu sabia que essas coisas eram indiferentes à nossa amizade — e, até, que a nossa amizade lhes conferia caráter necessário, de prova; ou gratuito, de poesia e jogo.
Viajou meu amigo Pedro. Fico refletindo na falta que faz um amigo de um ano de idade a seu companheiro já vivido e puído. De repente o aeroporto ficou vazio.
Extraído de: Cadeira de balanço. Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1976, p. 61, 62.
Aeroporto - Carlos Drummond de Andrade
Viajou meu amigo Pedro. Fui levá-lo ao Galeão, onde esperamos três horas o seu quadrimotor. Durante esse tempo, não faltou assunto para nos entretermos, embora não falássemos da vã e numerosa matéria atual. Sempre tivemos muito assunto, e não deixamos de explorá-la a fundo. Embora Pedro seja extremamente parco de palavras e, a bem dizer, não se digne pronunciar nenhuma. Quando muito, emite sílabas; o mais é conversa de gestos e expressões, pelos quais se faz entender admiravelmente. É o seu sistema.
Passou dois meses e meio em nossa casa, e foi hóspede ameno. Sorria para os moradores, com ou sem motivo plausível. Era a sua arma, não direi secreta, porque ostensiva. A vista da pessoa humana lhe dá prazer. Seu sorriso foi logo considerado sorriso especial, revelador de suas intenções para com o mundo ocidental e o oriental e em particular o nosso trecho de rua. Fornecedores, vizinhos e desconhecidos, gratificados com esse sorriso (encantador, apesar da falta de dentes), abonam a classificação.
Devo admitir que Pedro, como visitante, nos deu trabalho: tinha horários especiais, comidas especiais, roupas especiais, sabonetes especiais, criados especiais. Mas sua simples presença e seu sorriso compensariam providências e privilégios maiores. Recebia tudo com naturalidade, sabendo-se merecedor das distinções, e ninguém se lembraria de achá-lo egoísta ou inoportuno. Suas horas de sono — e lhe apraz dormir não só à noite como principalmente de dia — eram respeitadas como ritos sacros a ponto de não ousarmos erguer a voz para não acordá-lo. Acordaria sorrindo, como de costume, e não se zangaria com a gente, porém é que não nos perdoaríamos o corte de seus sonhos. Assim, por conta de Pedro, deixamos de ouvir muito concerto para violino e orquestra, de Bach, mas também nossos olhos e ouvidos se forraram à tortura da TV. Andando na ponta dos pés, ou descalços, levamos tropeções no escuro, mas sendo por amor de Pedro não tinha importância.
Objeto que visse em nossa mão, requisitava-o. Gosta de óculos alheios (e não os usa), relógios de pulso, copos, xícaras e vidros em geral, artigos de escritório, botões simples ou de punho. Não é colecionador; gosta das coisas para pegá-las, mirá-las e (é seu costume ou sua mania, que se há de fazer) pô-las na boca. Quem não o conhecer dirá que é péssimo costume, porém duvido que mantenha este juízo diante de Pedro, de seu sorriso sem malícia e de suas pupilas azuis — porque me esquecia de dizer que tem olhos azuis, cor que afasta qualquer suspeita ou acusação apressada sobre a razão íntima de seus atos.
Poderia acusá-lo de incontinência, porque não sabia distinguir entre os cômodos, e o que lhe ocorria fazer, fazia em qualquer parte? Zangar-me com ele porque destruiu a lâmpada do escritório? Não. Jamais me voltei para Pedro que ele não me sorrisse; tivesse eu um impulso de irritação, e me sentiria desarmado com a sua azul maneira de olhar-me. Eu sabia que essas coisas eram indiferentes à nossa amizade — e, até, que a nossa amizade lhes conferia caráter necessário, de prova; ou gratuito, de poesia e jogo.
Viajou meu amigo Pedro. Fico refletindo na falta que faz um amigo de um ano de idade a seu companheiro já vivido e puído. De repente o aeroporto ficou vazio.
Extraído de: Cadeira de balanço. Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1976, p. 61, 62.
2.Selecione palavras e expressões que apresentam dificuldades para compreender e interpretar o texto.
Ativação de conhecimento de mundo, antecipação ou predição, checagem de hipóteses:
Texto: “Pausa” , Moacyr Scliar
http://efp-ava.cursos.educacao.sp.gov.br/Resource/413029,A6/Assets/linguaportuguesa/materialep/texto_pausa.pdf
O texto que segue foi escrito por Moacyr Scliar
Pausa
SãoPaulo: Cutrix,199
http://efp-ava.cursos.educacao.sp.gov.br/Resource/413029,A6/Assets/linguaportuguesa/materialep/texto_pausa.pdf
O texto que segue foi escrito por Moacyr Scliar
Pausa
"Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro, fez a barba e lavouse. Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu, bocejando:
—Vais sair de novo, Samuel?
Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.
— Todos os domingos tu sais cedo — observou a mulher com azedume na voz.
— Temos muito trabalho no escritório — disse o marido, secamente.
Ela olhou os sanduíches:
—Por que não vens almoçar?
— Já te disse: muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche.
A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse à carga, Samuel pegou o chapéu:
—Volto de noite.
As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da garagem. Guiava vagarosamente, ao longo do cais, olhando os guindastes,as barcaças atracadas.
Estacionou o carro numa travessa quieta. Com o pacote de sanduíches debaixo do braço, caminhou apressadamente duas quadras. Deteve-se ao chegar a um hotel pequeno e sujo. Olhou para os lados e entrou furtivamente.Bateu com as chaves do carronobalcão,acordando
um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente. Esfregando os olhos, pôs se de pé.
—Ah! Seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom este, não é?Agente...
—Estou compressa, seu Raul!— atalhou Samuel.
— Está bem, não vou atrapalhar. O de sempre. — Estendeu a chave.
Samuel subiu quatro lanços de uma escada vacilante.
Ao chegar ao último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade:
—Aqui, meu bem! — uma gritou, e riu: um cacarejo curto.
Ofegante, Samuel entrou no quarto e fechou a porta à chave. Era um aposento pequeno: uma cama de casal, um guarda-roupa de pinho; a um canto, uma bacia cheia d'água, sobre um tripé. Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de viagem,deu corda e colocou- o na mesinha de cabeceira. Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido; comum suspiro,tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata. Sentado
na cama, comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho, deitou-se e fechou os olhos.
Dormir.
Em pouco, dormia. Lá em baixo,acidade começava a mover-se:
os automóveis buzinando, os jornaleiros gritando, os sons longínquos.
Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido.
Samuel dormia;sonhava. Nu, corria por uma planície imensa, perseguido por índio montado a cavalo. No quarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale entre as pernas, corriam.
Samuel mexia-se e resmungava.Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados: o índio acabava de trespassá-lo com a lança. Esvaindo-se em sangue, molhado de suor, Samuel tombou lentamente; ouviu o apito
soturno de um vapor. Depois,silêncio.
Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia,lavou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu.
Sentado numa poltrona,o gerente lia uma revista.
—Já vai, seu Isidoro?
— Já — disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu o
troco em silêncio.
—Até domingo que vem,seu Isidoro—disse o gerente.
—Não sei se virei—respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite caía.
— O senhor diz isto, mas volta sempre — observou o homem,
rindo. Samuel saiu.
Ao longo do cais, guiava lentamente. Parou, uminstante, ficou olhando os guindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Para casa."
SCLIAR, Moacyr.In:BOSI,Alfredo.Oconto brasileiro contemporâneo.SãoPaulo: Cutrix,199
1.O que é uma pausa? O que nos sugere?
descanso)
O que Samuel fazia aos domingos? O que dizia à mulher que iria fazer? Qual era o seu trabalho?
Que motivos levariam dizer à mulher que iria trabalhar aos domingos?
Por que o nome Isidoro? Como surge?
Que relação há entre o sonho de Samuel e a busca de liberdade?
Como associamos o termo “pausa” e as marcações de tempo no decorrer do texto?
Ref. “Vou-me embora pra Pasárgada”- Manuel Bandeira -http://www.releituras.com/ mbandeira_pasargada.asp
Relacionar a aprendizagem com o contexto socialCompreensão da história e do foco 1ª e 3ª pessoa.
Respeito e interação (contar/ouvir histórias)
Que tipo de história poderia passar-se em um aeroporto?
rita/73647/ e trace a relação entre os sentimentos que a “partida” gera tanto na letra da música quanto no texto “No aeroporto.
Professores:
O que Samuel fazia aos domingos? O que dizia à mulher que iria fazer? Qual era o seu trabalho?
Que motivos levariam dizer à mulher que iria trabalhar aos domingos?
Por que o nome Isidoro? Como surge?
Que relação há entre o sonho de Samuel e a busca de liberdade?
Como associamos o termo “pausa” e as marcações de tempo no decorrer do texto?
Ref. “Vou-me embora pra Pasárgada”- Manuel Bandeira -http://www.releituras.com/
Relacionar a aprendizagem com o contexto socialCompreensão da história e do foco 1ª e 3ª pessoa.
Respeito e interação (contar/ouvir histórias)
Que tipo de história poderia passar-se em um aeroporto?
Pós- leitura
Qual o tipo de narrador dessa história? Cite um trecho que comprove sua resposta.
(“Viajou meu amigo Pedro”/ “De repente o aeroporto ficou vazio”)
a - Que sentimento prevalece expresso nesses trechos? Justifique.
a - Que sentimento prevalece expresso nesses trechos? Justifique.
b) Relacione essa reflexão com algum fato vivenciado por você e faça um pequeno relato de como aconteceu.
Ampliação
http://letras.mus.br/maria-
Após a leitura:
"Vamos fugir” – Skank - http://letras.mus.br/skank/ 75215/
Leia: o poema d Emanuel Bandeira, escute a música, com atenção à letra de “Vamos fugir”, Skank e compare as “pausas” sugeridas nesses textos à pausa feita por Samuel, no texto de Moacyr Scliar. Escreva essa reflexão.
Planejar é preciso
Apresentação:
O plano de aula aborda os focos narrativos, verificados como defasagens na avaliação diagnóstica
Cronograma:
2 aulas - exercício de 1ª pessoa em grupos: cada aluno conta uma história de algum fato que tenha acontecido consigo. O grupo escolhe uma para contar para a sala.
2 aulas - exercício de 3ª pessoa: contar para a sala um história/ a escolhida pelo grupo (Pode ser em forma de dramatização)
Ilustração da história
Público alvo: 7º ano fundamental
Alunos com dificuldade de identificar e registrar o foco narrativo.
Objetivo geral:
Objetivo específico: Levar o aluno a compreender o uso do foco narrativo em 1ª/3ª pessoa, de acordo com a dinâmica interna dos diferentes tipos e gêneros.
Duração: 6 a 8 aulas
Justificativa: Detectou-se na avaliação diagnóstica, a dificuldade da maioria em compreender e identificar a presença de um foco narrativo nos textos estudados nas aulas
Meta:
Compreender e produzir textos (orais e escritos) marcando a presença de um foco narrativo.
Compreender e produzir textos (orais e escritos) marcando a presença de um foco narrativo.
Recursos: Oralidade, registro das histórias, ilustração/desenhos.
Professores:
Luciane Antunes Campos
José Benedito de Souza
Maria Aparecida Rodrigues
Lucineide Alves de Siqueira
Janaína Tunussi de Oliveira
Leid Luiza Mitta Carnevalli
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